LUGAR CERTO


cada coisa em seu lugar (ou
como fingir se tudo está in limbo)
Lugar Certo - cada coisa em seu lugar (ou como fingir se tudo está in limbo)

Ato 5

 

Hoje tem lançamento da revista do André Diniz e do José Aguiar lá na Itiban. O Zé é um dos quadrinistas mais fodas do Brasil. quem duvida, dê uma olhada na variedade de estilos de Quadrinhofilia, outro álbum do cidadão; o André Diniz é outro monstro. roteirista de primeira linha, publicou o ótimo 7 Vidas.

falando em Itiban e Ato 5, tá aqui minhas observações sobre a revista, no blog da Itiban.

Simbora lá. é hoje às 19h!

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Novo chapéu

Seguindo a sugestão dela, troquei o topo por um "pedaço" de quadrinhos clássicos.

O que você vê ali em cima é a parte de baixo da primeira página de Master Race, publicada pela EC Comics, em 1955.

A arte e o roteiro é de Bernard Krigstein e a história trata sobre intolerância e antissemitismo.

leia a história completa AQUI.

esse aqui é outro trabalho de Krigstein.

(Subway # 1, 1968, óleo sobre alumínio)

batuta, não?

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Lost in translation OU Títulos a beira de um ataque de nervos

Eu admito: não me sinto nada original e cogitei até não escrever sobre isso.

mas por fim, me meti atrás do teclado e está aí: algumas graças da tradução de títulos de filmes. eu, um entusiasta de listas (leu o blogue ontem?), categorizo em pelo menos três essas traduções:

Tipo, totalmente em português brasileiro

Esse não é dos piores, mas ser uma espécie de metalinguagem, já que o título original se perdeu na tradução, é do caralho.

já esse é totalmente criativo: haja capacidade pra sair de A corda e chegar a Festim diabólico.

Como alguém consegue ver este filme e falar: já sei! que tal Mistérios e paixões? levei anos pra saber que uma adaptação do livro existia.

Totalmente em, tipo, português europeu

Apesar de Um corpo que cai ser bastante legal, os lusitanos nos moeram: A mulher que viveu duas vezes. Jesus multiplicou pães e peixes. os tradutores, palavras

esse, confesso, é que motivou a minha postagem. creio que Sacanas sem lei fale por si só.

Se você achava que Os reis do iê-iê-iê era o fundo do poço, nossos amigos lusitanos abriram os porões do poço: Os Quatro Cabeleiras do Após-Calypso. repetindo: Os Quatro Cabeleiras do Após-Calypso. a partir daqui, tudo é anticlímax

Meio português, meio inglês, sem azeitonas

o nome do filme se refere a uma tecnica de revelação fotográfica, mas algum cabeçudo precisava socar um explicativo "depois daquele beijo". que ao lado de Blow up, significa nada e confunde muito.

Se você achava Um beijo roubado brasileiro ruim, que tal My blueberry nights - o sabor do amor?

sim, você já viu antes. sabe como se pede esse filme em Portugal? "você tem Lost in translation - O AMOR É UM LUGAR ESTRANHO? Com a Scarlett Johansson, Bill Murray?"

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Ecoando listas

Gostamos de listas porque não queremos morrer.

A frase acima é do genial Umberto Eco. ela foi retirada dessa interessante entrevista aqui:

(clique na imagem para ler a entrevista de Eco)

E aqui, uma lista de 5 passagens batutíssimas da entrevista:

"Gosto das listas pela mesma razão que outras pessoas gostam de futebol ou pedofilia. As pessoas têm suas preferências."
"A lista é o marco de uma sociedade altamente avançada, desenvolvida, porque ela nos permite questionar as definições essenciais. A definição essencial é primitiva comparada à lista."
"A propósito, se você muda constantemente de interesses, sua biblioteca constantemente dirá algo diferente sobre você."
"Se você interage com as coisas em sua vida, tudo muda constantemente. E se nada muda, você é um idiota."
"A lista é a origem da cultura. Ela faz parte da história da arte e da literatura."

Umberto Eco

 

Eu, que sempre gostei de listas, andava com uma ideia na cabeça - na verdade, uma ideia antiga - que envolve justamente uma lista.

lembro que ao ler Alta fidelidade, de Nick Hornby, o que mais me impressionou foram duas coisas: as listas, pois já era uma mania minha que foi solidificada pela leitura; e a criação de uma fita coletânea pra alguém, porque era uma coisa que eu queria fazer e, novamente, o livro foi um chute na bunda da minha inércia.

(imagem criado por iri5. veja as outras AQUI)

continuei lendo o Hormby, fazendo fitas e escrevendo listas. quem acompanhou meus blogues anteriores sabe do que eu falo.

um dia, um livro do Hornby sobre listas, o médio 31 Canções caiu na minha mão. tive uma ideia com ele, mas falarei disso outro dia.

retomando, sou um cara de listas:

- lista de livros pra ler

- lista de HQs a serem compradas

- lista de músicas a serem baixadas (já foi de CDs a comprar)

- lista de filmes

- lista de temas pro blog

daí li essa entrevista do Eco sobre listas e cultura e fiquei com vontade de voltar a uma postagem padrão de anos atrás: canções adequadas a um determinado momento. sei que não é exatamente uma lista, mas a ideia sempre foi que cada leitor pensasse sobre qual seria sua música praquele momento e pronto, já temos dois elementos e, por consequência, uma lista. veja aí:

Canções certas para momentos específicos:

Para se afogar em um mar azul cristalino, vendo a terra ao longe, e acabar não se importando muito com isso.
No Surprises - Radiohead

Para ver o fim do mundo de um terraço em Nova Iorque, sentado em uma cadeira de praia.
Ando Meio Desligado - Mutantes

essa postagem é de 2003, de um blog antigo abandonado.

que coisa vergonhosa, né?

Para passar vergonha pública em um blogue com coisas de muitos anos atrás:

Mongoloid - Devo

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Direito autoral

Descobri que estamos em uma época em que já existem filmes com direito autoral livre.

o que é uma descoberta bastante óbvia, na verdade.

não é óbvio, entretantto, o que se tem sido feito com esses filmes.

entre todas as coisas que não sei, tem uma que eu sei: foram parar no youtube!

entre as varias pérolas, uma animação do Superman, da década de 1940:

e a Noite dos Mortos-Vivos.

sim! ele mesmo! o clássico filme do Romero: inteirinho em 95 minutos de uma direção sensacional!

(clique no cartaz pra ver a obra no iultubi).

o filme é domínio publico por conta de uma antiga lei americana de direito autoral e de uma cabacisse: esqueceram de colocar um aviso de copyright em algum lugar e agora o filme é da geral!

veja os primeiros minutos do filme e mantenha sua cabeça no seguinte: um cara andando devagar ao longe quer dizer zumbi por causa desse filme. os enquadramentos inteligentes e o pouco sangue nos primeiros 15 minutos indicam que esse filme é um divisor de tumbas nos filmes de desmortos.

só posso recomendar enfaticamente.

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Sequer se quer...

Aposto que você passou por uma fase - normalmente, na infância - de querer várias coisas só pra si. se ainda não passou, fale com seu médico; eu falaria.

daí você aprende que não vai ter o seu tudo. nem o tudo dos outros. daí você aprende que não vai ter nenhum tudo. parabéns, essa é a maturidade: uma luta constante com o sentimento de incompletude e o anseio do pleno.

mas não é de lições de vida que tratamos neste espaço. aqui eu trato de ninharias, picuinhas e nã-ninhas outras.

por exemplo, de coisas de inveja.

queria ter tido a ideia pra escrever este livro:

 

Mas agora é tarde... queria também ter escrito "Um amor e uma 45":

sempre é uma coisa meio tardia. não é aquilo que eu não conseguiria fazer, tipo o gol do Marcelinho.

 

é coisa de eu podi ter pensado nisso, eu podia ter feito isso. é bastante possível que esses dois tenham feito melhor do que eu faria. isso é ainda uma crença no tudo, uma fe infantil.

High and dry - Jamie Cullum

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Crônica de uma postagem anunciada

isso tem a ver com meu trabalho. e também tem a ver com esse texto do Ivan Lessa.

eu escrevo roteiros de videoaulas. e calhou que, nos últimos tempos, por benção do Criador e da tabela de prazos de entrega, voaram até minha mão materiais de linguística e leitura. e uma desses materiais é sobre gêneros textuais.

fiquei com isso na cabeça até a noite. me lavei e os gêneros foram ralo abaixo cercados de xampu.

daí no outro dia eu li a tal coluna do Lessa. invejado dele, pensei que queria escrever daquele jeito. e faísca!

o blog não é um diário virtual, informação que se repete mais que as descidas de Sísifo na imprensa especializada em informar os pais sobre o que seus filhos fazem tanto no computador.

e quando surge um novo meio de comunicação, os outros se reorganizam e descobrem novas utilidades.

exemplifico: depois que o Twitter entrou no lugar das postagens curtas e dicas de vídeo e música, os blogs servem mais como um relato elaborado, normalmente ligado ao cotidiano, com opiniões pessoais de seus autores fugindo pelo ladrão.

ou seja, o texto típico de um blog é a crônica.

o que não diz muito sobre mundo, pois é bastante óbvio. mas diz muito sobre as pretensões desse blogueiro.

PDA - Interpol

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as glórias do Putardo Tarantino

Cães de Aluguel é o filme mais autoral; Pulp Fiction o melhor roteiro,; Um drink no inferno, o mais esquizofrênico; Jack Brown é o ponto baixo; Kill Bill 1, o mais divertido; Kill Bill 2, o mais bem dirigido; À prova de morte, a melhor trilha sonora. e o Bastardos inglórios o melhor resumo disso tudo. gRazie, Tarrantinou!

mas, não adianta, o filme que está ligado fudido à cultura pop é Pulp Fiction: camisetas, posteres e versões. abaixo, um tutorial de Google Wave e uma versão livre da violência explicíta:

bônus

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sou a mosca a Zumbizar

curto muito histórias trash e, sobretudo, de zumbis.

pago pau pro George Romero, me entusiasmo com a HQ Mortos-vivos, rio com Zumbis Marvel e sempre lembro que o vsionário Zack Snyder já fez seu melhor filme, o Madrugada dos Mortos.

meu primeiro roteiro de filme é de um filme trash. aliás, esse roteiro é um punhado de rabiscos em uma folha de caderno no ano 2000, meio que um argumento malfeito. nada que nos impedisse de contar a triste história da estudante universitária que matava pessoas pra vender seus órgãos para o mercado negro e pagar a faculdade. a pérola se chama O colecionador de órgãos (ou, em inglês, the invisible killer form the tomb).

a tristeza que perdemos a melhor piada do filme (essa do titulo - achou sem graça? é, magina o resto), porque esquecemos de por o título na hora da edição!

mas o que importa mesmo é o fabuloso trailler abaixo. mais que um trash é um terrir (terror + rir; sacou?)

ieba! vamo que vamo

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Ainda me lembro de algo

se bem me recordo, várias poostagens por aqui têm sido sobre o tema da recordação e da memória.

tem todo esse lado memorialista meio Proust (menos afetado - eu acho) que me ataca de vez em quando.

e 'atacar' é um verbo precioso nesses dias. veja só:

comprei um videogame a meses atrás; um PlayStation 2. na minha infância (e vêm lá a memória) os jogos continuavam na base do "não desligue isso por nada que eu volto amanhã pra gente 'eliminar' a fita" e da evolução suprema dos jogos até então, o password.

só que o tal do PlayStation (PS, pros chegados) não tem password, nem continue; tem memory card. eu já sabia disso e comprei um no mesmo momento que empacotava o console.

toda vez que você quer dar uma de JACU-RABUDO (expressão beltronenese que designa algo como 'espertão' ou 'metido'), você quebra o jacu. comprei um memory card pirata.

essa pequena peça retangular de poucos centímetros quadrados é a memória do videogame. é ela que sabe por qual fase você já passou; é ela que diz quais são os níveis de poder e a somatório dos pontos.

e ela que dá pau.

já sofri dois ataques de perda de memória em menos de 6 meses.

daí fiquei pensando: e se a gente tivesse uma memoriazinha dessas? a gente ia poder literalmente trocar de memórias com alguém. mas a gente ia arriscar perder ela e não conseguir (óbvio) lembrar onde ela estava.

a gente também ia poder ficar com a memória dos que morrem. mas a gente ia descobrir que o neto preferido do Vô Tranquilo era o outro cara lá. mas, por outro lado, íamos saber do que a Michael Jackson morreu!

e, é claro, o tal memory card de gente daria pau, mais hora, menos hora. magine o tráfego de memory cards humanos, filas de pessoas no SUS tentando um novo memory card, a inundação do produto pirata no mercado negro.

não, acho melhor deixar tudo como está. mesmo que a gente não posso apagar alguma coisa, ou não lembrar direitinho de outras.

porém, um password pra recomeçar alguma fase seria de se pensar...

Street spirit (fade out) - Radiohead

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