LUGAR CERTO


cada coisa em seu lugar (ou
como fingir se tudo está in limbo)

Tumblerando

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abri dois Tumblrs: um sobre os filmes que assisti, que se chama o Paradiso é bem bacana e o outro sobre os quadrinhos que leio, o Entre um quadro e outro.

pra quem não sabe, tumblr é um blogue ainda mais simplificado com suores de rede social.

como não me contenho, acabo incluindo algumas outras coisas, mas tenho feito força pra manter os textos mais curtos e pincelados. desse modo, este espaço aqui vai ter textos maiores enquanto lá vai umas pitadas dessas coisas. e pode ser que eu use coisas de lá como fonte pra algo aqui.

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O lado Obladi-obladá

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a pior música dos Beatles.

embora, pra  mim, a suada de brega And I love her seja pior. mas partamos dum certo consenso beatlezento de que Ob-la-di ob-la-da é a pior música dos Beatles.

mas peraí: Ob-la-di ob-la-da não é exatamente ruim. é possível cantar junto, pular e ser feliz por 3 minutos e 8 segundos. claro, ela pode trazer bons momentos, mas nunca vai deixar de ser ob-la-di ob-la-da.

é tipo o seu amigo que come de boca aberta. não é legal, mas ele conta boas piadas de estética enquanto come. toda a filosofia envolta em feijão, arroz e alface. não esvazia as afirmações, pelo contrário, as preenche de grãos mastigados.

ou seja, é ruim, mas você se lembra de algo bom e se bobear já canta a música no ônibus da volta pra casa.

não há dúvida, ob-la-di ob-la-da tem seu garbo.

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mas continua ruim. é indissociável desta canção ser boa e ao mesmo tempo boba. e isso a torna a música mais humana dos Beatles.

nós temos isso: sabemos ser batutas e, exatamente por isso, somos também intratáveis e misteriosos vilões. nós somos obladi-obladazados.

carregamos um afinado e harmônico lado obladi-obladá, que renegamos ao fundo de nós. é preciso entender essa letra, e decorar essa melodia, é preciso subir no palco e encarar a plateia.

eu nunca confronteim inha parte obladi-obladá, mas já assumo a diversão que ela proporciona. foi divertido cantar alto no meio do show do Macca ano passado: "laifi gouzon-bra-lalalalalaifi gouzon".

afinal, a vida segue e é preciso engrandecer o coro.

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O espaço do lado avesso com etiqueta aparecendo

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funciona assim:

imagina que aí dentro é um espaço. aos poucos, isso vai sendo ocupado, algumas vezes preenchido, outras, expandido.

tem um mini-você jogando pra dentro ideias, cores, referências, expectativas e tinta acrilíca. e você, quase sabe o que o miúdo-você faz, ou se ele é afeito a estantes, bebe chá inglês, gosta de fanta uva, Beatles Versus Stones, coisa e tal.

ele e você (tem diferença?) podem não falar sobre isso, recalcar, dobrar e esconder dentro do sapato, mas sabe que tá lá. ou aí.

peraí, esquece você e sua maquete.

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se apega nessa massa. às vezes uma ética cai dentro de um balde e vira e um belo bolo de sinapses. 

mas

(agora falo de mim, entre se quiser se sentar no teto)

tem um espaço-entre dentro desse espaço aqui.

de um lado e de outro, ambos acontecimentos beijam o vazio na tentativa desesperada de se tocarem. pois se houver contato, haverá a chance, haverá a música, haverá o ponto e vírgula, haverá enfim a satisfação.

hoje, eu - de braços abertos - sou a distância que há entre o quase e o talvez aqui dentro.

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Instrumentos de dispersão

se me lembro bem, esquecer é parte fundamental.

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não dá pensar que vai morrer enquanto você come bolacha com chá morno, é preciso esquecer a doença de sua mãe enquanto brinca no YouTube.

Espanamos o que se-foi do presente. mas logo a frente, o mesmo pó continua ali, a recobrir sua bolsa, seus livros e as beiradas das portas que deixa de abrir em seu apartamento.

o meu fugir de mim é pré-instalado de nascença.

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não, acho que o dispersar do urgente que é.

mas gosto de encher a mão com os grãos do importante.

(tem uma diferença Gonçalo-tavaresiana entre urgente e importante).

ou talvez só esteja tentando esquecer algo que deveria lembrar. ou isso é um apartamento fragmentado se reconciliando.

mas me lembrei de gostar disto:

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Pauliceia comentada

eis que estou em São Paulo.

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uma cidade que acumula vários maiores da América Latina.

não é meu caso, claro. não sou nem américo-latino direito, quanto mais O maior em qualquer ranking.

parei de crescer com 18 anos. não sou maior nem em relação a mim mesmo.

vivo improvisado, neste momento, na casa de um amigo gentil, enquanto tento desatar os nós káfkos da burocracia imobiliária brasileira.

Ao mesmo tempo, tenho um emprego daqueles que se pensa em estar na infância. mas se chega na idade adulta.

a mesma idade adulta das contas, imobiliárias, cartórios e trens.

(não há crianças nos trens - obviamente, elas estão na escola, mas isso me dá um cheiro de cidade sem crianças -- mesmo eu trabalhando em um 'puxa vida' infantil.)

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a cidade cresce mais que a sua gente, porque as gentes param de esticar, o seu limite biológico?

mas a cidade também tem seu pé métrico. nenhuma cidade vai além de seu mapa. embora cresça constantemente.

o crescimento vai além dos limites - é isso que ele é -- rompedor --, é uma semente implantada num pedaço longe da ciência e perto de mim.

e quando eu cresço, a cidade vai junto.

assim, eu faço de São Paulo um dos maiores devaneios da América Latina.

Phillip Glass - Metamorphosis I by Qld Con-Daniel Sullivan

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Impermanecendo

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há um conceito muito importante no budismo: a impermanência.

a ideia é de que os seres vivos querem evitar a dor e acham que a melhor forma de fazer isso é estabelecendo-se e criando garantias. e a demolição é que não existem garantias e o mundo não é permanente. nem o mundo, nem nada que o faz ser mundo.

a vida é impermanente. ao tentar fixar-se pra fugir da dor, corremos pros braços dela.

eu que não sou budista, embora tenha meus flertes, associo, de modo muito mais tacanho, permanência à tragédia e impermanência à comédia.

pois dor, tradição, herança e retorno ao mesmo ponto me parecem excessivamente trágicos. e saber que o vento sempre empurra o cisco de volta pro assoalho é cômico.

no meio de uma mudança de vida, de casa, de estado, de prospecções, quero imaginar que aquele que me escreve torça o braço de Melinda e afunde sua cara numa torta de creme.

é o riso contra a seriedade.

voltando aos budsatvas, o mantra é: não se leve tão a sério, é só quadrinhos, é só comida, é só uma opinião diferente, não se leve tão a sério, é só uma cidade, é só umas caixas pra passar fita adesiva, é só uns dias, é só... não se leve tão a sério, não se leve tão a sério, não se leve tão sério.

Sê leve. Apenas.

ou descola um fio invisível.

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do que eu digo quando eu falo...

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sabe, eu acho que ele sempre esteve ali sentado. não, é claro que ele não passou a vida toda ali, é que me lembro do velho, de chapéu, sentado naquele banco, sempre do mesmo jeito. com chuva, sem chuva, tanto faz. sempre ali, naquele banco que já deve ter sido o centro da praça.

hoje, HOJE, é a primeira vez que o velho não tá ali...

é, sim, acho que ele pode ter morrido sim...

não, é bem tristeza, é mais uma coceira no meio da cabeça, como se algo não tivesse certo...

não, não é o velho ter sumido e eu não ver o cara ali. não. é mais como se tivessem me feito de metáfora e eu não conseguisse entender.

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Menos

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a foto é da livraria Ghignone, de Curitiba. ela está aqui pela cidade desde 1921. mas vai fechar.

amanhã, sábado e acabou.

enquanto isso, o mundo não "mind the gap" em Londres, e apesar de todos os saques, as livrarias foram poupadas das chamas da anarquia.

ou parece que é isso.

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aqui, a Ghignone faz queima de estoque e eu cumpro meu ritual de despedida comprando um par de livros.

um comércio fechar é motivo pra reclamação, pra tristeza, pra blogagem?

se não é, não sei como pode se chamar isto aqui e este por trás das teclas.

é só uma loja, mas fechou umas portas aqui também.

deixa, deve ser só eu começando a fechar minha Curitiba pra abrir casa nova.

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Gibicon

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as coisas na vida são bem... bem... do jeito que são.

eu sempre usei o Universo HQ como referência pra escolher os quadrinhos a comprar.

ainda faço isso, mas hoje eu também sugiro leituras pra outras pessoas nas 200 resenhas (malomenos) que já fiz.

mas aí é outra história.

amanhã começa a Gibicon, um evento de quadrinhos aqui em Curitiba. coisa que um eu de 11 anos atrás teria adorado participar.

e hoje eu adoro poder ajudar isso a acontecer.

não quero engolir nenhum mérito pelo evento - eu apenas escrevi parte dos textos do site.

José Aguiar, Fabrizio, Fernanda e muitos outros merecem isso, mas não é sobre isso.

é sobre que amanhã começa o lance.

se estiver em Curitiba, apareça no Paço da Liberdade, no Solar do Barão, no Memorial...

meu eu de hoje vai levar todos os meus eus lá.

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lançamento dos Cadernos Listrados

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amanhã, na Itiban, mediarei o bate-papo entre Rafel Sica, Fábio Lyra, Daniel Barbosa e Samuel Casal.

cada um deles fez uma arte pruma coleção de cadernos e o Daniel encadernou tudo.

vamo lá?

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